O potencial de negócios dentro e no entorno dos aeroportos brasileiros foi a discussão proposta pelo encontro Airport City & Real Estate, que reuniu mais de 150 investidores e especialistas do setor aeroportuário esta semana em São Paulo

No segundo dia de debates, o foco foi a viabilização de negócios e investimentos considerando a dinâmica aeroportuária. Entre as concessionárias que assumiram os aeroportos privatizados nos últimos três anos o consenso é que a receita gerada pelas tarifas aeroportuárias não é suficiente para rentabilizar o investimento necessário para acomodar a infraestrutura à demanda. Assim sendo, a participação de outras fontes de receita, seja no varejo, nos empreendimentos imobiliários ou ainda na atividade industrial se apresenta como elemento de viabilização do aeroporto como negócio. “O negócio tem que estar baseado em um bom equilíbrio com as receitas comerciais não-tarifárias e as tarifárias”, disse Hilário Leonardo Pereira Filho, responsável por novos negócios da JSL.

Paulo Dantas, sócio de Infraestrutura do Demarest, complementou: “O setor aeroportuário é muito particular. As receitas acessórias neste mercado podem ser maiores do que as receitas efetivas da concessão e ajudam a recuperar o capital investido. Para se ter uma ideia, hoje, entre 70% e 80% da receita comercial do aeroporto de Guarulhos vêm dos negócios envolvendo a alimentação”.

Para atrair investidores, os especialistas ressaltaram que é fundamental definir um planejamento a médio e longo prazo que considere todos os stake holders envolvidos. “A questão da governança no Brasil é muito sensível aos investimentos e deve ser definida com clareza desde o início do processo do projeto. A estruturação de planos de custos na elaboração de projetos de aeroportos e aeroportos cidade é determinante para o êxito de qualquer projeto”, afirmou Jacqueline Dankfort, diretora da Turner&Towsend.

Atrair investidores é um dos desafios dos aeroportos. Como exemplifica Aluizio Bomfim Margarido, diretor comercial do Aeroporto de Viracopos: “É difícil seduzir o investidor porque é um negócio muito particular. Por exemplo, a propriedade da terra não será do investidor e ele tem que amortizar o investimento no período do contrato do concessionário”, que acrescenta: “temos mais de 5 milhões de m2 de áreas a serem negociadas, mais de 5 mil industrias de vários segmentos próximos ao aeroportos. Todos os estudos de viabilidade que fizemos mostram o potencial de negócios de Viracopos”.

Oportunidades de negócios para investidores
No debate sobre o potencial de negócios, salientou-se a importância de considerar a vocação de cada aeroporto, a ponto de esta determinar o plano de negócios e a infraestrutura necessária para atender as demandas. “Temos a benção e a maldição de sermos um país grande e diverso. Este é um mercado segmentado, seja pela regionalização, pelo poder aquisitivo e isso é bom porque pode gerar diferenciações interessantes e harmonizadas com as vocações de cada aeroporto. Precisamos de soluções de negócios diferenciadas para cada aeroporto”, disse Hélcio Tokeshi, chefe de seção da GP Airports, que acrescentou: “A densidade econômica da região e dos elos das cadeias logísticas associadas é o que vai ditar a demanda por produtos e serviços do aeroporto e seu entorno.”

Um exemplo dessa segmentação é o Aeroporto São Paulo Catarina, complexo dedicado à aviação executiva, empreendimento da JHS localizado no quilômetro 60 da rodovia Castelo Branco. O sitio aeroporto, de 7 milhões de m2, é cinco vezes maior que o aeroporto de Congonhas e os empreendedores acreditam haver demanda para um aeroporto dessa envergadura. “Hoje o país tem uma frota de 824 jatos dos quais 280 estão sediados em São Paulo e mais de 1000 aparelhos a turbo hélice. É a segunda maior frota de aviões executivos no mundo. Ou seja, há muito potencial para o aeroporto de Catarina. Nossas avaliações de risco e de taxas de retorno forma bem favoráveis”, afirma Francisco Lyra, diretor da C-Fly, empresa que participa do empreendimento.

Além do aeroporto, existe um shopping já em operação, oito torres corporativas, universidade, hospital e área residencial a serem construídos. A expectativa é até o final do ano terminar a obra de terraplanagem e no ano que vem iniciar a fase seguinte.

Desenvolvimento econômico e regionalização da aviação
A expansão da aviação regional é outro dos desafios do setor aeroportuário, considerando que as empresas aéreas tendem a adensar suas operações nos grandes centros. “A partir do momento em que o adensamento de mercado acontece, as companhias aéreas se voltam também para essas regiões. O transporte aéreo regional se consolidará a partir de um programa específico e estruturado, com financiamento público e privado, tal qual foi feito nos Estados Unidos, por exemplo”, explicou Hilário Leonardo Pereira Filho, responsável por novos negócios da JSL.

Já para Adalberto Febeliano, da Modern Logistics, a existência de aeroportos regionais é necessária para a integração das regiões mais remotas do país. “Neste caso, dos aeroportos regionais, a demanda e volume de passageiros é obviamente menor, mas o complexo deve estar dimensionado de forma a ser coerente com essa demanda”.

Na visão das companhia aéreas, Paulo Brochini, gerente geral de Corporate Real Estate da Azul Linhas Aéreas, acredita que para voltar a expandir a malha regional é necessária uma ação conjunta do governo federal de implantação de um programa de subsídios e de investimentos em infraestrutura. “Isso poderia viabilizar a expansão da rede atendida. Mas nosso objetivo é continuar expandindo a aviação regional independente da atuação do governo. É a missão da Azul. Continuaremos a ir para o interior, a voar para novos destinos, com as aeronaves corretas”.

 Encontro produtivo
 “Eventos como o Airport Infra Expo – Real Estate são de extrema importância porque promovem esta troca de impressões sobre o nosso negócio e nos ajudam a encontrar novas soluções para problemas comuns”, avaliou, o diretor comercial do Gru Airport, Fernando Sellos. Como finalizou Adalberto Febeliano, da Modern Logistics: “Encontros como este produzem inteligência e são sempre extremamente proveitosos”.

Sobre a Sator
A Sator nasceu em 2005 como uma empresa de produção de eventos, passou a oferecer serviços de comercialização e comunicação para os eventos que organizava e, mais recentemente, descobriu-se como uma organização desenvolvedora de plataformas de negócios, que consiste em identificar, planejar e desenvolver oportunidades por meio de encontros presenciais como seminários, feiras, rodadas de negócios, mídia online e impressa. A empresa conta com uma ampla experiência na organização de eventos como a Airport Infra Expo, Labace, Latin American Business Aviation Conference & Exhibition (entre 2007 e 2009), a Feira Nacional de Aviação Civil (desde 2008) e o Broa Fly-in (2006 a 2008).

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